Acesso à informação

Serviços  

   

Artigos e Publicações  

   

Artigos

Projeto Dom Helder lança livro sobre Manejo Sustentável da Caatinga

Detalhes

 


O autor do livro, João Ambrósio, durante lançamentoO autor do livro, João Ambrósio, durante lançamentoNo dia 26 de novembro, durante o VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia, foi lançado o livro Manejo Pastoril Sustentável da Caatinga, de João Ambrósio de Araújo Filho, publicação realizada através do esforço conjunto do Projeto Dom Helder Camara (SDT-MDA/FIDA/GEF), Programa Semear (FIDA/IICA/AECID) e Associação Brasileira de Agroecologia. Participaram do congresso mais de 4 mil pessoas, entre pesquisadores, professores, técnicos, agricultores, dentre outros.

 

“O lançamento durante o congresso ampliou a divulgação e alcance do livro. O professor João Ambrósio ficou muito impressionado com a dimensão do evento de lançamento e a repercussão dentro do congresso”, comenta Felipe Jalfim, coordenador de planejamento do Projeto Dom Helder Camara.

 

João Ambrósio em sessão de autográfosJoão Ambrósio em sessão de autográfosO livro é fruto de um desafio lançado em 2010, pelo Projeto Dom Helder Camara ao professor João Ambrósio, um dos mais destacados cientistas brasileiros no tema manejo da vegetação nativa: escrever um livro sobre Manejo da Caatinga no contexto da agricultura familiar.

 

Abaixo, o autor, cujos estudos e pesquisas se tornaram referência para a comunidade científico-acadêmica, extensionistas, técnicos de ONGs e famílias agricultoras no Semiárido brasileiro, fala um pouco sobre o livro, a importância do manejo sustentável da caatinga e os benefícios dessa prática:

 

O livro aborda o manejo sustentável da caatinga. Em que consiste esse manejo e no que ele difere das práticas mais convencionais?

O manejo pastoril sustentável da caatinga consiste no uso dos recursos forrageiros nativos do bioma, com vistas à produção pecuária, utilizando-se de técnicas de baixo impacto ambiental e cuidando-se da conservação dos recursos naturais renováveis de solo, água, vegetação e flora. A sustentabilidade do manejo é balizada pela manutenção de uma cobertura morta sobre o solo, utilização da foragem disponível até um máximo de 60% da produção, preservação de uma cobertura arbórea compatível com a produção ótima do estrato herbáceo, aporte significativo de serrapilheira e manutenção de sua biodiversidade e preservação da mata ciliar do sistema de drenagem da pastagem, o que proporcionará também corredores ecológicos e abrigos para fauna. Nas práticas tradicionais, que conhecemos, praticamente nenhum dos itens acima expostos é contemplado, predomina geralmente o sobrepastejo, com utilização quase total da forragem e exposição generalizada do solo, resultando em erosão acelerada e não preservação de árvores e da mata ciliar.

 

João Ambrósio em meio à caatinga, no Pajeú/PEJoão Ambrósio em meio à caatinga, no Pajeú/PEDe maneira geral, por que esse manejo é importante para esse bioma?

O bioma Caatinga sofre fortes limitações devidas principalmente ao clima e aos solos, tornando-o fragilizado frente aos impactos das ações antrópicas. Isto requer o uso com base em tecnologias de baixo impacto, como as que são discutidas no livro. Todavia, tecnologias agressivas, como as atualmente em prática, têm sido responsabilizadas pela degradação generalizada de seus ecossistemas e está levando, em muitos casos, à intensificação dos processos de desertificação.

  

Quais são os principais benefícios ecológicos desse tipo de manejo?

Podemos citar vários benefícios ecológicos, com destaque para proteção do solo contra a erosão, proteção dos recursos hídricos pelo controle do assoreamento, reposição da matéria orgânica e manutenção da fertilidade natural, manutenção da ciclagem de nutrientes, proteção do banco de sementes e estabilização da composição florística do estrato herbáceo, manutenção dos habitats da vida silvestre e aumento da resiliência do sistema produtivo.

 

Quais são os benefícios econômicos da implantação dessa prática para a agricultura familiar?

Dentre os benefícios econômicos, merecem especial atenção o reforço da segurança alimentar, a melhoria da renda familiar, a sustentabilidade do estabelecimento, resultando na viabilização econômica da unidade produtiva familiar no Semiárido.

 

Para que esse manejo seja realizado, é necessária a participação dos agricultores. Como é feita a integração do agricultor familiar nesse processo?

Na realidade, o agricultor familiar é principal ator na adoção dessas tecnologias. Mas para tanto, necessário se faz que sejam promovidos cursos de sensibilização, treinamento em serviço no campo e a assistência de multiplicadores com treinamento específico. A fase de treinamento a campo pode ser feita via implantação de unidades demonstrativas em colaboração, nas propriedades dos interessados.

 

Quais são os principais desafios a serem enfrentados para que o manejo da caatinga seja uma prática consolidada entre os agricultores familiares?

A adoção das tecnologias de manejo da caatinga para fins pastoris pelos agricultores familiares tem, a nosso ver, um longo caminho a percorrer, com várias etapas ou desafios a serem superados. Em primeiro lugar, há a internalização dos conceitos básicos, tais como capacidade de suporte, carga animal, percentual de utilização da forragem, produção da pastagem e dos animais. Depois vem a capacitação para que eles percebam as respostas da pastagem ao manejo, no solo, nos recursos hídricos e na vegetação, e possam fazer os ajustes, quando se fizerem necessários. Temos que lembrar que as condições climáticas no Semiárido são muito variáveis e o ecossistema da pastagem responderá de acordo com essa variabilidade. Mas tudo passará pelo que um agricultor familiar nos repassou: “é preciso paciência e persistência”. 

 

Para fazer o download da publicação "Manejo Pastoril Sustentável da Caatinga", clique aqui.

   

Galeria de Imagens  

   
   
© Projeto Dom Helder Camara