Acesso à informação

Serviços  

   

Artigos e Publicações  

   

Artigos

Silagem garante alimentação animal em períodos de seca

Detalhes

Produção de silagem 5As alternativas de convivência com o Semiárido não se restringem apenas a captação e armazenamento da água da chuva. Assegurar o acesso hídrico para o consumo doméstico e produção agrícola é apenas uma das estratégias dentre as várias possibilidades trazidas pelas tecnologias sociais. Conviver de forma harmoniosa com as peculiaridades climáticas da região exige ações qualificadas, como a dessedentação e alimentação dos rebanhos.

 

Barreiros, barraginhas e tanques de pedra vêm amenizando a sede dos bichos na época de estiagem, mas quando a necessidade é alimentar os animais durante a época da seca, surge a necessidade da silagem, sistema de estocagem de forragem que tem se revelado como alternativa eficaz à falta de alimentação.

 

Em 2007, o Projeto Dom Helder Camara / SDT - MDA/ FIDA / GEF, iniciou na região do Araripe um projeto de produção e conservação de forragens, com objetivo de melhorar a base do suporte forrageiro dos agricultores familiares. As famílias criadoras de ovinos, caprinos e bovinos plantam espécies forrageiras em suas propriedades e aprendem a estocar o material para época de escassez. Milho, sorgo, mandioca, capim e cana de açúcar, bem como outras espécies da vegetação nativa podem ser aproveitadas na produção de silagem. No período ideal, a produção é cortada, triturada e compactada para que depois fique armazenada até o consumo pelo rebanho. A capacidade de aproveitamento das forrageiras neste procedimento é um fator positivo, já que a durabilidade pode garantir comida aos animais durante um ano ou mais.

 

Produção de silagem 7No Assentamento Tanque, em Bodocó, famílias acompanhadas pelo Projeto Dom Helder Camara têm alcançado bons resultados através da silagem. A atividade vem garantindo a sustentabilidade da produção de leite, carro-chefe da economia local. Neste período crítico, com a pior seca registrada nos últimos quarenta anos, a silagem surge como alternativa viável e capaz de assegurar a alimentação do gado leiteiro. O método permite aos agricultores não deixar de trabalhar, pois mesmo com a redução da produção, a família pode desenvolver a atividade durante todo o ano. Dessa forma, os produtores ganham mais autonomia, pois têm a oportunidade de dar continuidade à produção de leite mesmo em períodos de seca, com a vantagem ainda de evitar a venda ou a morte dos animais.

 

Ao coletar o material da silagem, é possível ter o controle da alimentação e acompanhar o ganho de peso dos animais. Quando estocado, o material permite maior aproveitamento do pasto, pois a silagem é distribuída ao rebanho como uma das fontes de alimento. Outra vantagem é a da colheita das plantas, geralmente feita através do manejo, garantindo a rebrota no período de chuva.

 

Para o engenheiro agrônomo Tales Oliveira, se faz necessária a divulgação da utilidade desta tecnologia aos agricultores, pois ainda há desconhecimento. “O agricultor precisa saber que a medida realmente funciona. É preciso criar estratégias de fomento, com o incentivo da assistência técnica, através de feiras, palestras e intercâmbios de experiências” afirma Tales.

 

Texto: Assessoria de Comunicação da ONG Chapada

   

Galeria de Imagens  

   
   
© Projeto Dom Helder Camara