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Política Pública feita com arte

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 A rotina de agricultores familiares do Sertão Central (CE) recebeu uma pincelada de arte durante a última semana de março. Nas paredes de suas casas, bancos de sementes e associações comunitárias, seus sonhos, histórias e esperanças foram estampados pelas mãos habilidosas do artista plástico e grafiteiro pernambucano Derlon Almeida. A iniciativa faz parte do Projeto Ouro Branco, da empresa franco-brasileira VERT, que produz tênis feitos com algodão orgânico. Derlon fez 12 intervenções artísticas nas comunidades agroecológicas de Riacho do Meio, Tauá e Quixeramobim, representando a história e luta de 72 famílias agricultoras integrantes da ação Algodão em Consórcios Agroeocológicos, do Projeto Dom Helder Camara (SDT-MDA/FIDA/GEF).

 

Com o objetivo de representar a força, luta e aprendizados dos sertanejos, Derlon passou uma semana de imersão artística, convivendo e aprendendo com as famílias agricultoras. Textos coletivos produzidos pelos próprios agricultores basearam o trabalho do artista, que contou com a colaboração dos ilustres representados. "Mudei vários desenhos a partir do que as pessoas daqui iam sugerindo, comentando.", explica Derlon.

 

O período de residência artística foi registrado pelas lentes do fotografo Pablo Saborido, e as fotografias, no formato de lambe-lambe, serão expostas no mês de maio em Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Paris. Aproveitando o ano de copa do mundo, em que todos os olhares estão voltados para o Brasil, a VERT afirma estar orgulhosa de poder mostrar uma ação tão positiva. Além da exposição e dos trabalhos que agora ilustram, com maestria, a realidade e história das famílias agricultoras, uma coleção (tênis, mochila e outros acessórios) assinada pelo pernambucano será lançada para o inverno.

 

Derlon é conhecido internacionalmente por estampar sua arte na Europa, especialmente na França, Portugal e Holanda. A realidade que o artista encontrou no Sertão Central, no entanto, não seria possível sem os esforços dos agricultores em abraçar a produção agroecológica – sem o uso de agrotóxicos, incentivados pelo Projeto Dom Helder Camara (PDHC), em parceria com Embrapa Algodão e Esplar. 

 

Todo algodão produzido pelos agricultores, de forma totalmente orgânica, é comprada pela marca de tênis franco-brasileira Vert, que também adquire borracha vinda do Acre. A empresa compra diretamente das associações de agricultores, eliminando intermediários e garantindo um preço justo. Em 2013, o valor pago pela pluma do algodão foi acordado em R$7,39/kg. O preço é 63% superior ao preço de mercado.

 

Além do algodão, as 700 famílias agricultoras integrantes da ação Algodão em Consórcios Agroeocológicos investem na diversidade de cultivos, plantando também milho, feijão, amendoim, gergelim e forragens. Essa diversidade é um dos objetivos da ação do algodão em consórcios alimentares, que preza tanto pela produção do algodão, quanto pela segurança alimentar, acesso a mercados diferenciados e conservação e recuperação dos recursos naturais, em especial o solo e a biodiversidade local. 

 

   

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© Projeto Dom Helder Camara