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Agricultores da região Oeste voltam a apostar na cultura do algodão

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A atividade já movimentou a economia do campo durante mais de três décadas

 

Na região oeste, agricultores apostam, de novo, no plantio do algodão. Uma cultura que já foi uma das principais atividades econômicas do estado.

 

Confira na reportagem de Fabiano Morais.

 

O branco que brota no campo é sinal de novos tempos para alguns agricultores familiares da região oeste. Seu Mário havia plantado o chamado ouro branco há mais de 20 anos. Ultimamente só cultivava feijão e milho. Agora, no terreno de um hectare e meio, decidiu investir no algodão

- A safra garantida, o preço da pluma, o caroço volta pra gente, pra a agricultura familiar e a gente tira o animal para dar de comer e tira também a semente de planta. A gente pretende dobrar a produção que é pra gente ter mais sustentabilidade na família - diz José Mário de Freitas, agricultor.

 

A revitalização do algodão faz parte do Projeto Dom Helder Camara, através do ministério do desenvolvimento agrário. A Embrapa algodão, de Campina grande, participa com a consultoria técnica. Os agricultores já entendem o que precisa para ter bons resultados.

- O cuidado é plantar cedo, limpar cedo e colher e quando tiver a praga do bicudo catar os que caem no chão e enterrar para não atingir o nosso – conta Moacir Bezerra, agricultor.

 

O plantio foi em fevereiro e março, um pouco antes do habitual. Uma das estratégias para se livrar do bicudo, a praga mais comum nesse tipo de plantação. Esse é, inclusive um dos motivos para a cultura ter ficado tantos anos desativada

 

- A cultura do algodão sumiu de nossos campos, principalmente, porque foi atacada gravemente plea praga do bicudo, que acabou diminuindo nossa produtividade e porque não tinha uma certa garantia de mercado para a comercialização desse produto – explica o engenheiro agrônomo, Jorge de Queiroz.

 

O projeto está no terceiro ano. Nos dois primeiros por causa de chuvas em excesso ou de estiagem a produção não chegou a uma tonelada.

 

No Rio Grande do Norte a produção deste ano deve ser de 20 toneladas. São cerca de 70 agricultores de cinco cidades que estão apostando, de novo, na produção do algodão, que já foi uma das principais atividades econômicas do estado.

 

E dessa vez a situação é ainda melhor, segundo os agricultores

 

- Hoje a gente é um grande agricultor, já me sinto proprietário e a nossa safra nós já estamos vendendo diretamente para as empresas, então nós estamos ganhando muito com isso e melhor quando a gente aumentar mais a produção - acrescenta Josielton de Freitas, agricultor.

 

Toda a produção é orgânica e o cultivo é consorciado com outras culturas

 

- 50% com a cultura do algodão e os outros 50% o agricultor escolhe e determina em parceria com os técnicos, quais são as culturas a utilizar a se plantar, que em geral é o milho, feijão, gergelim, a gente está incrementando o amendoim, a melancia , além de outras culturas e ainda favorece e beneficia o meio ambiente. No consórcio agroecológico a gente tenta imitar uma floresta – esclarece Jorge de Queiroz, engenheiro agrônomo.

 

De toda a produção, 7 toneladas deve ser da pluma, quando o algodão está sem caroço e pronto pra indústria têxtil. o beneficiamento é feito pelos próprios agricultores nesta usina em Apodi. O destino do produto, já todo vendido, é a França. É o algodão que sai do cultivo familiar indo parar na alta moda francesa

 

- Isso é realmente o diferencial do projeto, nós trabalhamos com a comercialização da pluma que passa a vestir os franceses. Esse algodão se transforma em camisetas, que passa a fazer parte de desfiles de moda na França e as vezes, isso chega aqui no Brasil também. A exportação valoriza muito o trabalho do agriculto familiar - avalia Rosane Gurgel, supervisora do projeto Dom Helder Camara.

 

   

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© Projeto Dom Helder Camara