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Carne de caju pode ganhar o mercado

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Caraúbas – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se lançou na última semana o mais novo garoto propaganda do caju, durante o lançamento do Projeto Caju, ocorrido em Brasília. A iniciativa faz parte do Programa Cozinha Brasil, que vai permitir que a população de estados como Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia, grandes produtores de caju, obtenha algumas informações sobre as diversas formas de preparo e os benefícios da fruta na dieta alimentar.


O Governo Federal quer promover o aproveitamento integral do fruto no preparo de refeições de baixo custo e alto valor nutritivo. Durante a safra nordestina, toneladas de pedúnculo, responsável pela produção da polpa, são desperdiçadas ou usadas na alimentação de animais, uma vez que a indústria tem maior interesse pela castanha, destinada à exportação. O presidente pediu a ajuda dos parlamentares e da imprensa para que ajudem a divulgar o programa, incentivando o consumo desse produto, colocando a fruta no cardápio da população para que vire um costume alimentar. Com isso, o Governo Federal acaba iniciando uma nova etapa de discussão na possibilidade de incrementar, de forma diferenciada, um produto nacional na culinária internacional.


Na comunidade rural de Pedra II, município de Caraúbas, esse trabalho já está bastante avançado desde 2004, através do trabalho de assessoria do Projeto Dom Helder Câmara (PDHC), que realizou um trabalho de orientação das famílias para a importância nutricional do caju. A região possui mais de dois mil hectares de plantação de cajueiro e até pouco tempo só era aproveitada a castanha para fins comerciais.


As agricultoras Aracilda Cardoso de Sena, 24, e Maria Célia da Silva, 47, começaram a trabalhar no manejo do caju desde cedo, através de seus pais, tarefa que foi estendida durante a constituição de suas próprias famílias. Porém, durante todo esse tempo, só colhiam a castanha para vender in natura no mercado local a preços considerados insignificantes. Em 2004, através da capacitação do PDHC, e com ajuda da ATOS, empresa de assessoria técnica rural, elas tiveram a oportunidade de conhecer de perto que tipo de trabalho culinário é possível fazer através dessa fruta. Considerada uma especialista no manejo do produto, Aracilda garante que a partir do caju é possível produzir o doce, polpa, carne básica, mel, geléia e até vinho, devido ao seu poder de fermentação.


A agricultura explica que não há segredo na produção da carne básica da fruta. Para obter a matéria-prima, basta utilizar os resíduos que são produzidos após a fabricação do suco. Depois de extraído todo o sumo, o que sobra pode ser condimentado com temperos de cozinha como pimenta, cebola e alho e deixar o produto no formato desejado. Depois passar ou cozinhar em forma de bife, almôndega ou outras formas de acordo com o interesse de quem vai consumir.


Segundo Aracilda, a carne básica de caju tem um gosto muito parecido com a carne bovina, com um leve sabor da fruta. “Tudo vai depender de como a pessoa quer consumir a carne de caju. De acordo com o tempero utilizado, ela pode ficar com gosto de bife, galinha, almôndega e até omelete”, disse a agricultora.


Maria Célia aconselha ainda aos interessados em consumir a iguaria a cozinhá-lo junto com caldo de carne, já que assim o gosto fica mais apurado. “Aqui se matamos uma galinha ou fazemos carne cozida, separamos um pouco de caldo para cozinhar um pouco da carne de caju, dessa forma temos mais um diferencial na nossa alimentação”, argumenta.
Elas garantem que esse produto também pode substituir a carne na produção de omelete. “Esse eu nunca fiz, mas tenho a receita e vi na capacitação. Pelo que me passaram é tão gostoso quanto à carne, só que com muito mais poder nutricional”, finalizou Aracilda.


Fruta é consumida desde antes do descobrimento


O cajueiro é uma planta brasileira, amplamente distribuída pelo litoral nordestino. Desde a época do descobrimento, os índios já consumiam o caju como fruta fresca ou bebida fermentada. Pertence à família Anacardiceae, é perene e apresenta crescimento contínuo, podendo atingir até 20m de altura. O pedúnculo (falso fruto) é o que se consome ao natural. De coloração amarela ou vermelha, possui de 180 a 230mg de vitamina C por 100g de suco.


É rico também em cálcio, ferro e fósforo, sendo utilizado para sucos concentrados, doces em massa, compota e desidratados. A amêndoa do caju (fruto verdadeiro), quando torrada, tem alto valor no mercado internacional. Da castanha (amêndoa e casca), extrai-se o fino óleo de amêndoas, de uso cosmético, medicinal e culinário.

 

JOTTA PAIVA
Da Redação

   

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