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Beneficiamento do caju eleva renda

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Caraúbas – O assentamento Petrolina, no município de Caraúbas, vem sendo exemplo no meio rural potiguar e hoje é um dos maiores produtores de castanha de caju do interior do Rio Grande do Norte.


As terras que hoje fazem parte do assentamento rural Petrolina pertenciam ao empresário Ademos Ferreira, um dos maiores produtores de caju e de castanha do Brasil. Há mais de 10 anos essas terras foram desapropriadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) para o assentamento de 34 famílias. Como a fazenda sempre foi destaque na produção de castanha, hoje a principal atividade econômica das famílias assentadas continua vinculada a catação e a venda de castanha de caju.


Entretanto com um novo diferencial. A lucratividade das famílias começou a melhorar com a implantação de uma unidade de beneficiamento de castanha de caju, ocorrida em 2005 através de um investimento de R$ 21 mil feito pelo projeto Dom Helder Câmara/Secretaria de Desenvolvimento Territorial/Ministério do Desenvolvimento Agrário. A castanha beneficiada tem seu preço elevado de R$ 1,00 in natura para um valor aproximado de R$ 12,00 quando beneficiada.


Segundo o coordenador do projeto Dom Helder Câmara, Caramuru Paiva, a mudança na condição de extrativistas para miniempresários exigiu uma série de novos investimentos que vem ajudando a consolidar a iniciativa.
A Organização Não-Governamental Atos foi contratada para realizar uma assessoria técnica e gerencial aos assentados, além de muitos cursos que foram realizados para melhorar os conhecimentos sobre os processos de beneficiamento, higiene e gestão do empreendimento.


No próximo dia 15 de março será o marco de uma nova etapa na unidade de beneficiamento da castanha de caju do assentamento Petrolina. Neste dia o assentamento Petrolina fará a apresentação do seu plano de negócios conjuntamente com a comunidade de Pedra II para inaugurarem uma fase mais empresarial no trabalho de verticalização da produção.


O trabalho foi desenvolvido por dois dos maiores especialistas brasileiros na área da cajucultura, o agrônomo Valter Carvalho e o técnico agrícola José Inácio. Os dois foram contratados pelo projeto Dom Helder Câmara para potencializar a renda das famílias das duas comunidades pelo aproveitamento das mais de 100 toneladas de castanha de caju e mais de 300 toneladas de pseudofruto existentes nas duas localidades.


Juntamente com a entrega do plano de negócios, o projeto Dom Helder Câmara/SDT/MDA, através de uma linha de ação denominada projeto Elo, estará liberando R$ 41 mil como capital de giro para a compra e estocagem de matéria-prima produzida. “Percebemos que a falta de reserva de matéria-prima comprometia todo o andamento dos negócios do assentamento”, justificou Sarah Vidal coordenadora do projeto Elo/projeto Dom Helder.


Comunidade Pedra II produz ração animal


Caraúbas – A comunidade rural Pedra II fica localizada exatamente nos limites de terras com o assentamento Petrolina, no mesmo município de Caraúbas. A proximidade geográfica e a cultura do caju motivaram os moradores da localidade para desenvolverem uma experiência inovadora com o aproveitamento do pseudofruto do caju.


De acordo com as informações colhidas na região, existia um desperdício em torno de 90% das mais de 3.000 toneladas de caju que são produzidas anualmente em Caraúbas. “Tirando um pouco de caju que é utilizado para a produção de doces caseiros e na fabricação artesanal de polpa, o restante era totalmente desperdiçado”, argumenta José Maria Júnior, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Caraúbas e coordenador do comitê territorial do projeto Dom Helder.


Contando com a farta e abundante matéria-prima e o aporte financeiro de R$ 17 mil pelo projeto Dom Helder Câmara/SDT/MDA, a comunidade recuperou uma unidade familiar de produção de ração animal a partir do pedúnculo do caju. “O caju abundante na região é colocado para secar e entra com 60% na composição de uma ração balanceada que apresenta ótima qualidade e uma boa competitividade econômica com as rações tradicionais”, explica Reginaldo Gomes Nobre, engenheiro agrônomo da ONG Atos responsável pelo acompanhamento do projeto.


Segundo ainda Caramuru Paiva, essa iniciativa também apresenta a vantagem de fechar um ciclo de aproveitamento da cultura do caju porque de um lado as famílias do assentamento Petrolina beneficiam a castanha e repassa o pedúnculo para a comunidade Pedra II. Por outro lado a permuta acontece no sentido contrário porque a ração de caju feita em Pedra II exige somente pseudofruto. Assim toda a castanha de Pedra II está sendo gradativamente encaminhada para os vizinhos.


POLPA DE CAJU


O grupo de 13 mulheres da comunidade Pedra II se envolveram no aproveitamento do pedúnculo do caju e já completaram um ano em que produzem polpa e comercializam em torno de 300 kg/mês que é comercializado em vários setores do comércio caraubense.

 

AGRICULTURA FAMILIAR
MÁRCIO MORAIS De Caraúbas

   

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