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Representantes do MDA conhecem projetos do território

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Publicado em Quarta, 26 Setembro 2007 09:27

Oeste – Os representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT), Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrário (FIDA) e Organização das Nações Unidas (ONU) encerram hoje a visita ao Território Sertão do Apodi, para conhecer de perto o trabalho realizado pelas parceiras através do Projeto Dom Helder Câmara (PDHC). A comitiva, formada pelo coordenador de despesas do MDA, Cristiano da Fonte, gerente financeiro do PDHC, Geraldo Firmino, e mais uma comitiva do Ministério, está sendo acompanhada pelo supervisor do PDHC no território, engenheiro agrônomo Caramuru Paiva.


O trabalho começou ontem no município de Campo Grande, na sede da PED Núcleo Sertão Verde Campo Grande. Em seguida foi feita uma visita à barragem sucessiva e plantio de frutas e hortas orgânicas aproveitando água represada na barragem Sucessiva, localizada na localidade rural de Campo de Aviação. No mesmo município foi promovido um almoço regional, em que a comitiva teve a oportunidade de saborear o melhor da comida regional à base de peixe de água doce e galinha caipira da localidade rural de Morcego.


De Campo Grande o grupo seguiu até Caraúbas, onde foi feita uma apresentação da unidade de beneficiamento de castanha de caju, adutora permanente para consumo humano e cisternas de placas, da localidade rural de Petrolina. Segundo a coordenação do PDHC, essa é uma das comunidades que mais avançou na região do semi-árido, com relação aos investimentos feitos no trabalho de convivência com o semi-árido. Em Caraúbas a recepção ficou por conta das técnicas da Assessoria, Consultoria e Capacitação Técnica Orientada e Sustentável (ATOS) Sheyla Gurgel e Dulce Mary.


Nessa localidade os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer as iguarias à base de caju. Foi servida merenda composta por bolo, suco, doce e a especialidade das mulheres da região, a carne de caju. De lá a comitiva partiu em direção à localidade de Sombras Grandes, onde existe um projeto integrado de produção de hortaliças orgânicas e apicultura beneficiando mais de 30 famílias. A última parada em Caraúbas aconteceu na localidade de Abderrament, onde foi feita uma reunião com a comunidade.


Hoje, às 8h, os representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário vão conhecer o entreposto de mel do Projeto de Assentamento Lajes do Meio, no município de Apodi, que reúne dezenas de apicultores da chapada do Apodi, numa experiência de sucesso iniciada há pouco tempo. Por fim, será feita uma avaliação entre os membros da comitiva e os agentes locais do Dom Helder.


Para Elisângela Sanches, que integra a comitiva do MDA, os projetos dessa região estão bem executados. “Pela declaração das pessoas, dá para perceber que muita coisa mudou depois desses investimentos”, analisa Suzana Laranja, que também faz parte do grupo. A visita aos projetos serve para se ter uma idéia de como está sendo feito o trabalho do Governo no interior do País. “Aqui está dando certo”, enfatiza.


Já o ordenador de despesas do MDA, Cristiano da Fonte, diz ter ficado surpreso com o nível de organização das pessoas e dos projetos e o grau de satisfação das pessoas. “É importante que o governo saia do gabinete para se deparar com essa situação e descobrir tantas riquezas que existem no Brasil”, finalizou.


De acordo com o consultor estadual da SDT/MDA, Auricélio Costa, a visita é somente para que o pessoal do setor administrativo do ministério conheça os resultados dos investimentos feitos pelo Governo Federal na agricultura familiar do semi-árido brasileiro. Segundo Auricélio, a missão da Organização das Nações Unidas (ONU) avaliou muito positivamente o trabalho desenvolvido pelo Projeto Dom Helder Câmara, dando ênfase a alguns resultados que estão sendo alcançados no Estado do Rio Grande do Norte no que se refere à geração de referências e gestão democrática dos recursos públicos, planejamento participativo, promoção da cidadania e a melhoria da qualidade de vida dos agricultores familiares.


Para o supervisor local Caramuru Paiva, o trabalho que chega às comunidades é muito mais do que de geração de emprego e renda, mas de mudança de consciência de que é possível conviver com o semi-árido, a partir de ações simples respeitando os valores e cultura de cada comunidade.


Projeto investe na articulação dos espaços sociais


O Projeto Dom Helder Câmara é um acordo de empréstimo entre o Governo Brasileiro/Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrário (FIDA). De acordo com o site do projeto, é uma experiência exitosa, porque além de desenvolver ações estruturantes para fortalecer a reforma agrária e a agricultura familiar no semi-árido nordestino, investe efetivamente na articulação e organização dos espaços de participação social.


Nesse sentido, os agricultores familiares e os assentados da reforma agrária, através dos Comitês Territoriais e do Comitê Gestor, discutem suas necessidades, opinam sobre as possibilidades e definem ações prioritárias que possam alterar, significativamente, o rumo de suas vidas. As ações complementares de educação, saúde, capacitação, produção, comercialização, serviços financeiros, gênero e etnia, desenvolvidas pelo projeto são fundamentais, pois os homens e mulheres do campo são profundos conhecedores dos problemas que lhes afetam secularmente.


O Projeto Dom Helder Câmara investe, sobretudo, no protagonismo por excelência, o que significa construir e exercitar cidadania. A riqueza desse processo e suas conseqüências só o tempo poderá afirmar, porque as questões sociais não são matemáticas.


O compromisso do Projeto Dom Helder Câmara é ensinar e aprender fazendo. Aprender a construir pluralidade na diversidade. Romper com a verticalização do planejamento e do monitoramento, estimulando a participação ativa, o trabalho com tranqüilidade e qualidade, investindo na complementariedade e no desenvolvimento da autonomia dos sujeitos.

 

Fonte: Jornal De Fato