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Presidente do FIDA visita o Brasil

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Para agência da ONU, produção em pequenas propriedades rurais pode ser a chave para a recuperação das economias latino-americanas após a crise econômica global

 

Roma, junho de 2009– O Presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Kanayo F. Nwanze, está no Brasil desde o último dia 17 e ficará até 21 de junho para avaliar o progresso do desenvolvimento rural do País e para conhecer os desafios encontrados.

 

Durante sua visita, Nwanze já se encontrou com o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo Silva, e com o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e irá visitar comunidades que fazem parte de um projeto co-financiado pelo FIDA na região semiárida do Ceará (Projeto Dom Helder Camara). Em Brasília, ele se reuniu com representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), além de conhecer programas e projetos apoiados pelo FIDA no Brasil.

 

O Presidente se encontrou ainda com membros da Comissão Especializada de Agricultura Familiar do MERCOSUL (REAF), criada há cinco anos com apoio financeiro do FIDA, para garantir que associações de pequenos agricultores sejam envolvidas nas políticas agrícolas e para institucionalizar o tema de desenvolvimento agrícola dentro da agenda política do MERCOSUL.

 

Crise financeira: medidas necessárias

 

“A crise financeira requer medidas em curto prazo, acompanhadas por uma visão em longo prazo para proteger os trabalhadores rurais mais vulneráveis”, disse Nwanze às vésperas de sua visita ao Brasil.

 

Em cada país, essas medidas deveriam incluir um aumento dos investimentos em agricultura ao longo de todo o ciclo produtivo, como infra-estrutura, assistência técnica, financiamento de serviços rurais e fortalecimento de potencial, com o objetivo de reduzir a pobreza rural e de promover instituições governamentais eficazes.

 

Lidar com a recessão também exigirá um maior envolvimento do setor privado que atua no ramo de serviços agrários, por meio de financiamentos, marketing e de parcerias com o setor público. Além disso, o apoio à pesquisa agrícola deve ser mantido para permitir o desenvolvimento e o compartilhamento de novas tecnologias, em benefício de pequenos agricultores.

 

Esses pequenos agricultores, parceiros-chave para a promoção das economias nacionais, representam a maioria das quatro milhões de propriedades agrícolas do Brasil. A produção em muitas dessas fazendas é somente de subsistência. Apesar disto, essas pequenas propriedades representam uma grande contribuição para a economia local e para a segurança alimentar. A agricultura familiar, como é conhecida no Brasil, responde por cerca de 70% da produção de alimentos do país e por uma significante parcela das exportações. Ainda assim, elas estão entre as comunidades mais pobres por causa da falta de acesso a recursos produtivos.

 

“Existe um grande potencial inexplorado nas populações rurais que vivem nas montanhas, nos vales e nas planícies da América Latina e do Caribe”, disse Nwanze. “Mas os agricultores precisam de recursos (fertilizantes, sementes e equipamentos), além de apoio financeiro, conhecimento e acesso a mercados locais e internacionais”, acrescentou.

 

Governos nacionais, doadores, organizações internacionais, sociedade civil e associações de agricultores devem ajudar no levantamento desses recursos, já que “os agricultores da região não têm apenas a capacidade de crescerem por eles próprios, mas também a chance de contribuírem significantemente para a recuperação das economias de seus países” ressaltou Nwanze.

 

O impacto da crise na América Latina e no Caribe

 

Apesar da variação de performances dos países da região, uma queda geral de 1,5% no PIB dos países já é esperada para 2009, após altas de 5,5% e de 4,3% nos últimos dois anos. Alguns exportadores de commodities estão sendo atingidos por esse declínio e o enfraquecimento de receitas está levando a um aumento da pressão sobre o orçamento dos Governos.

 

Enquanto a região como um todo deve atingir a implementação do primeiro Objetivo de Desenvolvimento Milênio, que é reduzir pela metade a proporção de pessoas vivendo em extrema pobreza até 2015, alguns países ainda estão longe dessa realidade, atrasados pelas consequências da crise global. A situação é particularmente mais crítica em áreas rurais, onde mais da metade das pessoas são pobres.

 

Operações do FIDA no Brasil

 

Desde que o FIDA deu início a suas operações no Brasil, na década de 80, a agência distribuiu 141,7 milhões de dólares em empréstimos para seis programas e projetos nacionais, incluindo um novo projeto para ajudar no desenvolvimento de empresas familiares rurais na região Nordeste, que deve começar suas atividades nos próximos meses. Dois outros projetos, no Piauí e na Paraíba, ainda estão em estudo e poderão entrar em operação no começo do ano que vem. Os novos investimentos do FIDA no Brasil chegariam,nesse caso, aos 187 milhões de dólares.

   

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© Projeto Dom Helder Camara